Texto: Marcelo Medeiros
Revista TV Escola Imaio/junho 2010
Imagine a seguinte situação: o professor lê um
livro e encontra nele idéias para melhorar suas
aulas. O mestre extrai os principais conceitos da
publicação e produz uma apostila, a qual é utilizada
pelos alunos para compreender melhor o conteúdo
da disciplina. Os alunos fazem sugestões de
como melhorar a apostila e geram um novo material,
adaptado às suas necessidades.
O processo, comum em muitas escolas, também
pode ser aplicado a programas de computador,
os chamados softwares. Alguns deles permitem
alterações nos códigos que os formam para
que sejam adaptados ao uso de cada usuário,
possibilitando a construção de materiais de ensino
singulares.
Os softwares cujos códigos são abertos a modificações
pelo usuário são denominados “livres”.
Eles permitem a leitura dessas informações e sua
utilização aberta, desde que seja citada a fonte, isto
é, de onde veio a ideia – assim como se faz com livros.
Desta forma, qualquer um pode alterar algo
que já existe, agregando e/ou atualizando dados. E
tudo isso é possível gratuitamente.
Essas características foram fundamentais para
o software livre (SL) ser adotado em escolas de
todo país. “É fundamental que escolas e educadores
utilizem programas livres, pois eles permitem a
produção de conhecimento aberto e ainda geram
redução de custos”, afirma o sociólogo Sergio Amadeu
da Silveira, professor da Universidade Federal
do ABC (UFA BC).
Estratégia de desenvolvimento
Para Amadeu, o uso desse tipo de aplicativo é estratégico
para o desenvolvimento nacional. O sociólogo explica que, hoje, a comunicação
e a educação são cada vez mais mediadas
por softwares – basta ver a quantidade de
computadores utilizados no cotidiano. “Os
SLs demandam continuidade, aprendizado
e aplicação de conhecimento constantes.
Os programas podem ser adaptados
livremente de acordo com a necessidade
de cada um.”, explica. “A política educacional
deve se basear em conhecimento
aberto, pois a ciência sempre foi feita com
base em ideias formatadas anteriormente”,
defende ele.
Foi justamente o conceito de conhecimento
aberto que atraiu Sinara Duarte,
professora da rede municipal de Fortaleza
(CE) e entusiasta dessa vertente da informática.
“O mais importante é a liberdade
de conhecer outros recursos, outros modos
de fazer, outros modos de pensar”, opina.
Sinara já utiliza diversos programas
em suas aulas. Entre eles, o pacote Linux
Educacional, cujos aplicativos facilitam o
acesso a obras literárias em domínio público,
carregam imagens passíveis de serem
usadas em sala de aula, oferecem cursos
de digitação, entre diversas outras possibilidades
de uso. A professora ainda destaca
o GeoGebra para ensino de Geometria nas
últimas séries do Ensino Fundamental. “O
TuxMath também é excelente para iniciar
os pequenos na tabuada”, indica.
Para baixar
Há vários sites de onde se pode baixar programas
de código aberto para fins educacionais. Confira alguns:
• Software Livre Educacional: http://sleducacional.org/
• Portal do Software Público: http://www.softwarepublico.gov.br/
• Linux Educacional: http://linuxeducacional.com